Prefeitura de SP põe mais pedras no caminho do povo da rua!

Não bastassem as pedras do dia a dia como a fome, o frio, 
o dormir na rua, as violências policiais e a negação dos direitos, no dia 2 de fevereiro a prefeitura de S. Paulo retomou ações higienistas das administrações anteriores, reinstaurando a arquitetura da exclusão na cidade. Uma empresa contratada pela 
prefeitura instalou pedras pontiagudas nos baixos do Viaduto D. Luciano 
Mendes de Almeida e Antônio de Paiva Monteiro, no intuito de afugentar pessoas em situação de vulnerabilidade. O viaduto serve de espaço de moradia para as pessoas de rua. 
No censo de 2019, a prefeitura constatou a presença de 24.344 pessoas em situação de rua na cidade em São Paulo. A região da Mooca, onde se situa o viaduto, é a 2ª com mais pessoas em situação de rua. 
Indignado com a colocação das pedras, o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de rua, há anos apoiando e defendendo essa população em seus direitos, foi ao local na manhã do mesmo dia e, com uma marreta, 
começou a quebrá-las. 
A Secretaria Municipal das Subprefeituras informou que “a implantação de pedras sob viadutos foi uma decisão isolada, que não faz parte da política de zeladoria da gestão”. 
Após repercussão negativa da ação higienista, a prefeitura iniciou a retirada das pedras. O próprio P. Júlio ajudou a subprefeitura da Mooca a desfazer o serviço. “Olha essa operação de guerra com 30 funcionários, dois tratores, cinco caminhões, técnicos e supervisores para desfazer o erro que fizeram em uma cidade cheia de problemas”, afirmou ele nas redes sociais. 
No dia 6 de fevereiro, pessoas e comunidades sensibilizadas pela situação, junto com o Coletivo Flores pela Democracia decidiram colocar flores no lugar dos paralelepípedos como forma de protesto em relação às políticas da gestão Bruno Covas (PSDB) para a população de rua. 

 
Medidas higienistas em São Paulo 
 

Bruno Covas (PSDB) – 2018-2020  2021… 

  • Grades sob o Viaduto Deputado Antônio Sylvio Cunha Bueno 
    (subprefeitura de Guaianases). 
     
  • Grades e floreiras em viadutos do 
    Centro para impedir a permanência das pessoas. 

João Doria (PSDB) – 2017-2018  

  • Tela verde no local onde foram realocados dezenas de moradores de rua na região da Praça 14 Bis, na operação limpeza “Cidade Linda”. 

Gilberto Kassab (PSD) – 2006-2013  

  • Canteiros anti banho ao redor do espelho d’água da Praça da Sé e bancos anti-pop-rua nas Praças. Rampa sob o viaduto João Julião da Costa Aguiar, no bairro de Moema (Zona Sul). 
     

No Viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida  

Por ironia da história, a ação ocorreu no Viaduto que leva o nome de D. Luciano Mendes de Almeida. Ele foi bispo auxiliar da região Belém da Arquidiocese de São Paulo de 1976 a 1988, secretário e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e arcebispo de Mariana até 2006, quando faleceu. Dom Luciano foi sobretudo amigo das crianças de rua, da população de rua, dos excluídos da periferia e defensor intransigente dos direitos democráticos e de cidadania. 

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