Nós que estamos vivos, só cabe lutar!

Bruno Araújo Pereira, Dom Phillips e os defensores da floresta e da terra ficam aqui nossos agradecimentos por darem a vida pela a Amazônia, pelo planeta e por nossas vidas. As pessoas em situação de rua, como as árvores e animais da Amazônia também sofrem a dor das violações, da desigualdade, da falta de políticas públicas efetivas e agora, a dor e a morte pelo frio. Nos juntamos à luta da defesa das florestas, do planeta e da vida contra todos que atacam e colocam as nossas vidas em perigo. Nossa solidariedade aos familiares, amigos/as, indígenas e todos e todas que lutam na defesa deste imenso coração amazônico que nos possibilita viver. Um agradecimento aos indígenas dessa imensa floresta, especialmente aos indígenas do Vale do Javari que vem resistindo aos ataques dos pescadores ilegais, madeireiros, traficantes, garimpeiros, caçadores, e até do governo. Agora nos resta proteger outras vidas e lutar por justiça. Que os “comedores de floresta” sejam impedidos de continuarem. Que Bruno, Phillips, Maxciel Pereira dos Santos, se juntem aos lutadores da terra e estejam sempre presentes nesta luta com todos/as aqueles/as que são resistentes e não vão desistir. O jornal O Trecheiro se junta nessa resistência. 

Compartilhamos da convocação da jornalista Eliane Brum, em uma matéria do Nexojornal do dia 13 de junho, com o título: “Não é incompetência nem descaso: é método”: 

“Faço aqui um apelo ao instinto de sobrevivência de cada um. Tudo o que estamos fazendo não é suficiente. É hora de fazer não apenas o que sabemos, mas o que não sabemos. Não apenas por altruísmo ou por compaixão pelos que tombam. Mas pela vida. A guerra da Amazônia é a guerra deste tempo. A guerra da Amazônia é a guerra contra os comedores de planeta. Coube a nós, que ainda estamos vivos, travar essa guerra. Que tenhamos vergonha na cara e lutemos.” 

Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips desapareceram no dia 5 de junho e só foram encontradas algumas pistas mais precisas no dia 15 de junho com a indicação dos executores que confessaram ter assassinado os dois. Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, e seu irmão Oseney da Costa Oliveira, suspeitos de envolvimento no crime estão presos. 

Nos últimos 10 anos, segundo a Comissão da Terra – CPT aproximadamente 313 pessoas foram assassinadas na região da Amazônia por conflitos no campo. 

Mortes por conflitos no campo (dados CPT)

2010 – 34

2011 – 29

2012 – 36

2013 – 24

2014 – 36

2015 – 50

2016 – 61

2017 – 71

2018 – 28

2019 – 32

2020 – 20

 

2021 – 35