Almoço contra a fome e pela vacina

“A imunidade com a vacinação leva um tempo para se estabelecer. Mesmo vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos. Confie na Anvisa. Confie nas vacinas que a Anvisa certifica e, quando elas estiverem ao seu alcance, vá e se vacine”, Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa

Escrevemos esse editorial no dia 18 de janeiro de 2021, depois da manifestação das pessoas em situação de rua, entidades e movimentos servirem almoço de protesto na frente da prefeitura de São Paulo, acompanhada da distribuição de uma tonelada de bananas; depois da crise de Manaus (AM), que tem aumentado o número de infectados e mortes e, agora por falta de oxigênio para os pacientes internados.

Escrevemos depois de tantas mortes provocadas pela Covid-19 e pela violência policial; depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial das vacinas da Coronavac e Oxford-Astra-Zeneca; depois da primeira brasileira, paulistana, enfermeira Mônica Calazans receber a primeira dose de imunização.

Escrevemos depois de contabilizarmos 95 milhões de pessoas infectadas no mundo, com 2 milhões de mortos, e de no Brasil com mais de 8,45 milhões de doentes, termos 210 mil mortos. São 210 mil pessoas mortas e milhões de pessoas afetadas por essas mortes.

Escrevemos esse editorial depois da morte de um amigo próximo, José Valdez Ferreira de Souza que faleceu ontem em Brasília (DF) e que representa o drama de milhares de famílias que perderam seus parentes antes “da hora”. Nossa solidariedade a todas as famílias e amigos que estão de luto. Frente a este quadro, quase que o dia da primeira vacina ficou ofuscado pelas notícias tristes.

Triste também ver o presidente genocida, que nega a existência de uma pandemia e não faz nada para proteger seu povo, ao contrário, atrapalha todos os esforços para conter a contaminação e, agora, não se preocupa em adquirir e/ou produzir a vacina que só terá efeito se houver vacinação em grande escala, “vacinação de rebanho”.

A Anvisa, contrariando a política genocida do presidente destacou a importância de todas e todos se vacinarem para conter a contaminação e, assim, evitarmos as mortes. Eu vou tomar a vacina!

Importante também lembrar que há necessidade de continuarmos com as máscaras, com a prática de lavar as mãos, com o distanciamento social, evitando sempre as aglomerações.

Neste sentido, é importante pensar em políticas de acolhimento com novos parâmetros, com uma reformulação dos Centros de Acolhida. A vacinação das pessoas em situação de rua é importante, mas é preciso vir acompanhada de políticas públicas “vacinadas” contra a tutela do Estado, a violência e, principalmente, a ineficiência.

 Vacina contra a COVID19 é urgente! Mas é preciso vir acompanhada de novas práticas, de novas políticas públicas.

“A rua não é lugar de morar, moradia já!

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